quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Verbetes Masoquismo e Sadismo

Verbetes Masoquismo e Sadismo
Vocabulário da Psicanálise Laplanche e Pontalis


Masoquismo
• Perversão sexual em que a satisfação está ligada ao sofrimento ou a humilhação a que sujeito se submete.

Em Freud:
• Noção de masoquismo para além da perversão descrita pelos sexólogos:
- reconhece elementos da perversão em numerosos comportamentos sexuais, e na sexualidade infantil primitiva.
- o ‘masoquismo moral’: diante de um sentimento de culpa inconsciente, o individuo procura a posição de vitima sem que um prazer sexual esteja diretamente implicado no fato.

• “O problema econômico do masoquismo” (Freud, 1924)

Distinção de três formas de masoquismo:

- Erógeno: Perversão sexual masoquista, procura de excitação erótica pela dor.

- Feminino: Possibilidade imanente a todo ser humano. Coloca o sujeito em numa característica da feminidade, que Freud aponta: a passividade.

- Moral: Procura de punição, presença de culpa e fracasso. Relação com o superego

• Masoquismo Primário:
- No início da vida psíquica.
- Pulsão de morte é dirigida para o próprio sujeito, ligada pela libido e unida a ela. Ainda não há agressividade voltada para um objeto exterior.

• Masoquismo Secundário:
Retorno do sadismo sobre a própria pessoa, acrescentando-se ao masoquismo primário.


Sadismo

• Perversão sexual em que a satisfação está ligada ao sofrimento ou humilhação infligida a outrem.

• A psicanálise estende a noção de sadismo para além da perversão descrita pelos sexólogos, reconhecendo-lhe numerosas manifestações mais encobertas, particularmente infantis.

Em Freud:

• O termo sadismo pode estar ligado a uma agressividade de cunho sexual ou não.

• Durante uma fase do desenvolvimento psíquico, toda pulsão de morte está voltada contra o próprio individuo. Parte desta pulsão é colocada diretamente a serviço da pulsão sexual (sadismo). Outra parte permanece no sujeito ligada libidinalmente com a ajuda da excitação sexual (masoquismo primário).



Karina Bueno e Diego Penha, Equipe de Monitoria de Psicanálise II/2010 - Barueri

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O desenvolvimento da libido e as organizações sexuais

Conferência XXI - S. Freud

- Freud propõe a existência de uma sexualidade que não é genital e não tem relação com a reprodução.
• A sexualidade pervertida é centrada, todas suas ações se dirigem para um fim. Possui um impulso predominante.
• Na sexualidade infantil falta uma centralização. Seus impulsos possuem os mesmos direitos, cada uma seguindo seus próprios rumos na busca do prazer (perverso polimorfo).
- Tanto sexualidade pervertida, como a normal surgiram da sexualidade infantil.
- Vida sexual não emerge como algo pronto. Passa por sucessivas fases de desenvolvimento, nas quais a obtenção de prazer se dá em diferentes zonas erógenas. O ponto crítico desse desenvolvimento é a subordinação de todos os impulsos à primazia dos genitais – função sexual.

- Fase oral:
→ zona erógena da boca desempenha papel principal
→ atividade sexual de sucção
→ fase mais primitiva
→auto-erótico

- Fase Sádico-anal:
→ zona erógena esfíncter e anal
→ organização frouxa
→ primeiro plano: instintos sádico-anais
→ não há contraste entre feminino e masculino
→ contraste entre ativo e passivo
→pulsões de olhar e adquirir conhecimento estão funcionando poderosamente
→ percurso imediato da fase da primazia genital
→ auto-erótico

- Fase fálica:
→ ápice do Complexo de Édipo
→ fase genital infantil
→ não tem finalidade reprodutiva
→ desejo objetal ligado aos genitais orgânicos
→ masculino – passividade – masoquismo
feminino – atividade – sadismo
→ Complexo de castração e Inveja do falo
→ Abandono do auto-erotismo e a unificação dos objetos dos impulsos sexuais por um único objeto
- Complexo de Édipo:
→ é umas das mais importantes fontes do sentimento de culpa que atormenta os neuróticos
→ sentimentos de ambivalência em relação ao objeto de amor
→ egoísmo em relação aos cuidados da mãe
→ curiosidade sexual para com sua mãe
→ inicio da definição da preferência sexual
→ acontece de maneira semelhante com meninos e meninas, com as devidas modificações
→ ciúme dos irmãos
→ os irmãos podem ser, posteriormente, objetos de amor, como forma de substituir a mãe infiel

- Período de latência: 6 a 8 anos de vida.
→ parada ou retrocesso no desenvolvimento sexual
→ experiências e pulsões mentais anteriores sucumbidos à amnésia infantil – recalque + deslocamento + condensação
→ análise – trazer à memória novamente esse período de esquecimento

- A mãe é o primeiro objeto de amor. Essa escolha é vinculada ao Complexo Édipo.
- Primeira escolha objetal é incestuosa e precisa de severas proibições para que essa tendência infantil não se realize. Proibição do incesto.
- Na puberdade há um retorno dos velhos objetos incestuosos familiares. A escolha objetal infantil pode ser um indicativo para qual direção irá a escolha objetal durante puberdade.
- Desvinculação do indivíduo com o ambiente parental para a inserção da comunidade social.
- “Os neuróticos, porém, não chegam a absolutamente a nenhuma solução. O filho permanece por toda vida subjugado à autoridade do pai e é incapaz de transferir sua libido a um objeto sexual externo. (...). Nesse sentido, o Complexo de Édipo justificadamente pode ser considerado como núcleo das neuroses.” (pag. 393)












Karina Bueno e Diego Penha, Equipe de monitoria de Psicanálise II/2010 - Barueri